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JORNAL DA TARDE – 22/02/2006
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Na maratona de aparições
na tevê – que já incluíram Raul Gil, o evangélico FALA QUE EU TE ESCUTO
e, ontem, gravação na Rede Gênesis, da Igreja Sara Nossa Terra,
ontem-, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se deparou com situação
inusitada ao participar do TODO SEU, na TV Gazeta, anteontem à
noite. Chamado de "picolé de chuchu light" na eleição de 2002, Alckmin
teve de provar o prato que deu origem ao apelido no programa.
Após experimentar a "iguaria" preparada pela chef Mara
SaIles, o governador assegurou que ela "vai virar moda"; nos últimos
dias, ele tem usado o apelido como propaganda, em bordões como "vou
trabalhar para chuchu pelo Brasil".
Para elaborar a
sobremesa são necessários um chuchu com a casca; 2 xícaras (chá) de
açúcar; uma xícara (chá) de água; 2/3 xícara ( chá) água gelada; cinco
folhas de manjericão e uma casquinha de limão. O preparo é simples: a
xícara de água e o açúcar são levados a fogo brando até a mistura ganhar
corpo; aí, são adicionados o chuchu ralado, o manjericão e a
casca de limão. O conjunto deve ser mantido no fogo até atingir ponto de
calda. Então, deve se separar a polpa da calda e juntar ao chuchu 2/3 de
xícara de água gelada, para liquidificar a mistura O passo seguinte é
colocar em formas e levar ao freezer.
No almoço com a cúpula
tucana, a sobremesa ficou de fora: Alckmin ofereceu merengue de caqui. |
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Ronnie ficou na FAB dos 15 aos 18 anos. Saiu depois que uma
babá dele foi visitá-lo com um bolo de chocolate e ele virou
chacota. Para superar, fez terapia durante oito anos. “Eu já
era cantor e sonhava que estava voltando para a escola de
cadetes”, diz Ronnie |
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Carreira
Ares de príncipe
A convite de Gente, o cantor e apresentador
Ronnie Von
revive na base aérea de Guarulhos seu tempo de cadete
da FAB, conta que entrou no universo feminino para poder
criar os filhos sozinho e se diz metrossexual |
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texto:
Rodrigo Cardoso
fotos:
claudio gatti |
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O Príncipe da Jovem Guarda na base paulista da FAB:
“Imagine eu fardado, de quepe. As meninas
deliravam!”, diz ele |
Céu de brigadeiro na base
paulista da Força Aérea Brasileira (FAB), em Cumbica,
Guarulhos. Numa tarde de setembro, um ar saudosista tomou
conta do cantor e apresentador Ronaldo Von Schilgan Cintra
Nogueira, o Ronnie Von, assim que ele pisou no local.
Impecável, de paletó e óculos escuros, Ronnie foi recebido
por coronéis, majores, sargentos. No reencontro com seu
passado, proposto por Gente, a comenda da
FAB reluzia em seu paletó. “A Força Aérea foi o norte da
minha vida”, diz o ex-cadete, emocionado. “Entrei com 15
anos na escola preparatória de cadetes e, lá, formei minha
personalidade, aprendi disciplina, organização, hierarquia
e respeito à lei.”
Aos 60 anos, Ronnie carrega daquela época hábitos
como jamais permitir que uma mulher abra a porta de um
carro e enviar flores no dia seguinte para “as meninas”
que são gentis. À FAB, ele também deve o fato de saber
arrumar corretamente a cama e a acordar, sem resmungar, às
5h30, o que ele faz para apresentar o Todo Seu,
diariamente na tevê Gazeta. “Imagine eu fardado, de quepe.
As meninas deliravam!”, relembra Ronnie.
O fascínio por aviões começou na infância. Já
adulto, ele teve quatro aeronaves – chegava a limpar os
equipamentos de bordo com cotonete –, foi piloto da Vasp e
computou 4.820 horas de vôo, tal qual brigadeiro. Poderia
ter voado mais, não tivesse interrompido, aos 18 anos, o
sonho para seguir os passos do pai economista e diplomata.
Ronnie se formou e trabalhou no mercado de capitais. Mas
encontrou a fama ao empunhar o microfone, jogar o pescoço
para tirar a franja que cobria os olhos verdes e soltar a
voz com o hit “Meu Bem”. Desde então a Jovem Guarda ganhou
seu Príncipe – assim o chamavam – e ele vendeu 10 milhões
de discos.
Um episódio pitoresco selou seu desligamento da FAB.
Certo dia, sua babá, Amélia, foi vê-lo. “Amélia fazia um
bolo de chocolate precioso”, lembra Ronnie. No portão,
pediu para falar com o cadete Nogueira e identificou-se:
“Sou a babá dele e trouxe o bolinho de chocolate que ele
adora”. Ronnie conta como o recado foi passado pelo
auto-falante. “Atenção, cadete Nogueira, sua babá veio lhe
visitar e lhe trouxe um bolo de chocolate.” Ronnie ouviu
gozação durante meses e deixou a FAB. Deprimido, fez oito
anos de terapia. “Eu já era cantor e sonhava que estava
voltando para a escola de cadetes”, conta. “Tive de
superar o fato de sair da FAB sem querer ter saído.”
Na vida afetiva, Ronnie não permitiu interferências
familiares. A mãe dele, Noly, insistia para que ele se
casasse com uma moça da sociedade carioca. Ele estava
interessado em Miúcha, a grande menina do posto 4 de
Copacabana, e tinha um encontro com ela. À mãe, ele
dissera que se casaria com a primeira mulher que visse na
praia. Miúcha teve uma amigdalite, 40º de febre e não foi.
Ronnie conheceu ali Aretusa, com quem foi casado durante
12 anos e teve dois filhos: Alessandra, 34 anos, e
Ronaldo, 33.
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“Tenho cuidado de passar um creminho
antes de dormir, pentear legal o cabelo,
ter a roupa impecável’’ Ronnie Von |
Ao se separarem, ele ficou com a
guarda deles. Da experiência de criá-los, lançou Mãe de
Gravata, livro que está na 11ª edição. “Sofri
preconceito até de amigos quando passei a freqüentar a
tribo feminina, que não era a minha, mas me ensinou a
administrar a casa, trocar fralda, fazer mamadeira.”
Cristina, 49 anos, mulher de Ronnie há 18, explica como
eles se completam: “Tenho cabeça de homem, Ronnie pensa
como mulher”, diz. “Batemos de frente um pouco. Temos dois
castiçais em cima da mesa que, todo dia, coloco para
frente e ele, para trás.”
Ronnie confirma que seus valores, sua visão de
mundo, têm a ótica das mulheres. Até no trabalho – além de
apresentar um programa feminino, ele é dono de uma agência
de publicidade e de uma empresa da construção civil – está
cercado de mulheres. “Tenho vaidade feminina, não de
pintar a unha como o David Beckham. Mas tenho cuidado de
passar um creminho antes de dormir, pentear legal o
cabelo, ter a roupa impecável”, diz. Ele conta que conhece
cama, mesa e banho como ninguém, qualquer ponto de
bordado, qualquer renda. Lava, passa, cozinha. “A roupa da
minha mulher quem compra sou eu, do sapato à lingerie”,
diz. “Isso é ser metrossexual? Me considero um, então.”
Nesse exato momento, o papo, pontuado pelo som de
pouso e decolagem de aviões, é interrompido por Cristina.
Ela lembra Ronnie que o dia seguinte começaria para ele às
5h30. O top gun Ronnie Von deixa a base aérea. Não sem
antes anotar o nome da esposa do comandante da FAB, que o
recebeu cordialmente, para lhe enviar flores no dia
seguinte. 
Agradecimentos:
fab/ base aérea de são paulo |
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Ronnie
Von, cantor e apresentador
Desde 3 de
maio de 2004 – há exatamente um ano -, o cantor, apresentador e verdadeiro
ícone de uma geração Ronnie Von lidera o programa
Todo Seu, na TV Gazeta.
Nascido no Rio de Janeiro em 1944, estudou para ser piloto, fez faculdade de
economia, tornou-se cantor em 1966 e fez muito sucesso, também fora do Brasil.
É empresário, produtor de modas, participou de filmes, novelas e de um dos
Festivais da Record. Em 1999, seu livro
Mãe de Gravata, em que contava como criou seus dois primeiros
filhos após o divórcio do primeiro casamento, inspirou um programa de
televisão homônimo.
Hoje, casado pela segunda vez, com três filhos e já com netos, Ronnie Von
demonstra mais uma grande habilidade: a de conseguir se manter na mídia, com
sucesso, anos depois do início da carreira.
Você era piloto, estudou economia e virou cantor! Com foi isso?
Estudei economia porque a família tinha uma organização financeira no Rio e
queria preparar o “grande executivo da empresa”. Estava na Aeronáutica, que
era a grande paixão da minha vida. Eu piloto. Tive que optar porque você não
pode fazer uma faculdade estando na Academia Militar.
E como começou a carreira musical?
Sem nenhum planejamento, da forma mais inusitada possível. Meu pai tinha uma
missão diplomática em Londres, e os Beatles estourando no mundo inteiro. Ele
trazia os discos pra mim, então eu tinha os discos seis meses antes do
lançamento aqui. Eu conhecia uma banda cover chamada ‘Brazilian Beatles’ e
eles ficavam loucos, copiavam pra fitas, ensaiavam, e começaram a fazer muito
sucesso.
Um dia fui ao show deles e o vocalista da banda me chamou – “Tá aqui o Ronnie,
que traz os discos pra gente e canta muito bem também”. Tentei sair, porque
não entendia nada de palco, mas não deu e cantei uma música do filme
Help!. Um homem chegou, se
apresentou e disse – “Vamos gravar um disco?”. Pensei que meu pai me mataria e
minha família me deserdaria, e de fato aconteceu uma coisa muito próxima.
Eu acreditei que a gente fosse fazer um disco pra ninguém ouvir,olha que
idiota! O nome desse homem é João Araújo, o pai do Cazuza. Na época, diretor
da Polygram (ou Polidor) e hoje presidente da Som Livre.
A música foi muito importante para você…
Tudo o que eu tive, emocional e materialmente, foi a música que me deu. Seria
mentiroso se dissesse pra você que não canto mais porque não quero. Eu digo
isso, mas não é o que eu sinto. Porque você não pára, param com você, é
diferente.
Como foi parar com isso?
Senti que não tinha a idade certa, o sexo certo e o corpinho certo para
dançar, rebolar, mas isso era o que estava dando certo no mercado. Não tenho
talento pra isso… Como também não sei fazer música chamada de sertaneja, mas
composta nas coberturas da Avenida Paulista. Isso não é sertanejo, é uma coisa
horrível. Como também não sei fazer samba que não seja samba. Sou do Rio,
então tenho outra visão.
O
Todo Seu está fazendo um ano e é
um sucesso. Fale um pouco sobre essa experiência.
Eu poderia usar de argumentos clichês, como “Eu adoro desafios”. Mentira, eu
não gosto de desafio nenhum, não gosto de pisar no desconhecido, tenho uma
insegurança monumental.
Tem outro componente que é trabalhar com o que você gosta. Sou empresário de
outras áreas, mas não tenho os negócios – eles é que me têm. Eu não gosto de
nada, só gosto disso [de televisão]. Mesmo que não seja minha sobrevivência, é
minha vida. Ou, se quiser radicalizar, minha droga. Como qualquer pessoa, por
mais inteira e feliz que seja, tenho problemas que, às vezes, parecem
insolúveis. Aí, venho pra cá, acendem a luz e eu digo “Boa noite”. Aí, acabou
tudo, não tenho problema nenhum, o mundo é bom.
Com o programa, como fica sua rotina hoje?
Antes, o programa era de manhã, então eu chegava na emissora às 7h e ficava no
ar das 10h às 12h. De repente, decidiram me colocar no horário nobre, o que me
deixou muito feliz, e mudou todos os meus horários. Agora, saio daqui com 12
horas de diferença em relação ao que fazia antes.
Durante o dia, ia para a agência e também administrava daqui a empresa de
construção civil da qual sou sócio com meu irmão, que fica no Rio. Tive que
mudar o relógio biológico e minhas atitudes também.
Estamos para começar a fazer quadros gravados, então terei que chegar às
18h30. Como vou fazer? Não sei… Tenho a impressão de que terei que delegar
poderes de uma forma radical porque não poderei estar em dois lugares ao mesmo
tempo. Tem clientes que querem minha presença e terei que mudar isso.
Seu livro Mãe de Gravata
inspirou um dos programais de maior sucesso na sua carreira. Mas sua história
como apresentador é mais antiga…
Comecei como apresentador em 1966. Paulinho Machado de Carvalho me propôs
apresentar um programa na Record chamado O
Pequeno Mundo de Ronnie Von. De lá pra cá, esse é o 13º programa
que eu apresento.
O apelido “mãe de gravata” foi minha esposa quem me deu. Depois de casado com
ela, eu passava dedo no móvel pra ver se estava empoeirado, olhava se a roupa
estava bem passada porque, se não estivesse, eu ia lá mostrar como era.
Um dia, o Washington Olivetto diz que tem uma idéia de um programa pra mim que
é uma maravilha. Aí começou essa história nova.
Como foi criar os dois filhos sem uma ajuda feminina?
Foi simples. Com nove anos, minha filha sabia tudo sobre ovulação. Aos 10,
menstruou. Abri uma champagne, achei que era importante pra ela, ela tomou um
golinho. O difícil é no começo – Ah, eu tenho formação acadêmica, então vou
ler, vou aprender com Piaget. Fui buscar recurso na literatura para fazer uma
coisa simples, simples. Para Piaget, criança pode tudo, e vi que estava
criando um monstro dentro de casa. Aí você radicaliza – ela não pode nada.
Piora.
Tudo é bom senso, papo, amor, é voce passar a sua verdade interior, levar para
o caminho que você acha que vai ser o menos dolorido. Imaginar que você está
criando uma pessoa pra conviver numa sociedade.
Com tudo isso, você se considera um especialista em mulheres?
Sim. Minha filha tinha um problema sério de ovário policístico e ninguém
descobria o que era. Me matriculei em um curso de paramédicos, onde só tinham
mulheres grávidas, para aprender fisiologia feminina e poder salvar minha
filha. Queriam extirpar o ovário dela. Hoje ela está aí, teve filho.
Também passei a me interessar por moda. A Cristina [esposa] eu visto dos pés à
cabeça. Me tornei especialista em mulher, moda, tudo. Lavo, passo, cozinho e
arrumo.
Você sofreu preconceitos por ter que criar os filhos sozinho e assumir
tarefas domésticas e vistas como femininas?
Sim, e tive que lidar com isso. Continuei recebendo amigos em casa depois de
separado. Eles vinham falar de futebol, política, negócios e mulher. Aí, eu
soltava – “Comprei uma toalha de mesa que você não vai acreditar, uma
pechincha!”. E eles me respondiam – “Como é que é, Ronnie? Até você jogando
água fora da bacia?”. Eu ouvi isso! Aprendi com meus erros.
E quem
cuida hoje da casa, você ou sua esposa?
Sou casado com uma mulher educadíssima que é minha amiga de infância. Vou
fazer 20 anos de casado e, no entanto, até hoje lido com essas coisas. De
cama, mesa e banho, na minha casa, sou eu que cuido.
Como você encara o assédio feminino? Tem alguma história constrangedora?
Hoje ele é mais simples, mas antigamente era violento, brutal, porque elas
queriam literalmente um pedaço seu – orelha, cabelo… Uma das coisas mais
complicadas que me aconteceu foi na saída do programa
O Pequeno Mundo de Ronni Von, na
Rua da Consolação. Tinha um sósia que sempre alternava as saídas comigo. Um
dia, ele não foi, saí pela porta principal, como fazia às vezes, e me
descobriram. Polícia, segurança, tudo e não teve jeito: elas me deixaram nu,
jogado numa calçada. Quem me salvou dessa história foi o baterista do Erasmo
Carlos, o Rubinho, que me deu uma camisa pólo do Erasmo que era enorme (ele
tem quase dois metros), parecia uma bata em mim, me jogaram em um carro e me
levaram pra casa.
Isso me rendeu depois um convite para fazer uma propaganda de um tecido
chamado suplex. A cena se repetia, todo mundo vinha em cima de mim, aí entrava
um repórter com um microfone e dizia –“ Mas você não tem medo?”. E eu
respondia – “Não, isso aqui é suplex, não amarrota, nem perde o vinco”, que
era o slogan deles.
Você testá sempre à frente de seu tempo – com 21 anos seguiu uma carreira
musical sem apoio da família, ficou com a guarda dos filhos após o divórcio do
primeiro casamento, foi vítima de muitos preconceitos. Como é isso?
A recompensa sempre vem. Hoje tenho uma visão de mundo muito mais rica, porque
tenho essa coisa do feminino sendo homem. Sou macho, mas entendo tudo de
mulher, criei uma menina e um menino em um processo extra-judicial, não teve
briga, foi um acordo com minha primeira mulher.
Meu terceiro filho tem 18 anos e é músico também, e estava hoje comentando
sobre um disco que fiz. Ele disse exatamente isso, que eu estava muito à
frente quando gravei aquilo. No entanto, agora tô com a síndrome da idade
avançada, achando que falta pouco tempo pra fazer um monte de coisa que tenho
na cabeça ainda.
Tá sentindo o peso da idade?
Tô, porque acho que me sobra pouco tempo de vida ativa e produtiva e muita
coisa pra fazer. O homem que pára de sonhar, pára de viver. Morrer é fácil.
O meu melhor momento pode ser agora, mas eu não vejo. Estou com um véu porque
penso pra frente, eu quero é mais e, na medida em que penso assim, estou vivo
e me sinto jovem. Comecei a achar que tem cronologicamente pouco tempo pra
realizar tanta maluquice que está na minha cabeça ainda.
Deixe sua opinião sobre:
Ciúmes
Eu não conheço esse sentimento.
TPM
Meu Deus do céu! Eu tenho hoje uma bonequinha que tem duas faces que uso como
código com a Cristina para que não haja confusão, separação. Quando ela está
na TPM, a bonequinha vira a boquinha pra baixo e fica triste. Acabou o
problema.
Consumo
Eu acho que faz parte da personalidade da mulher. Ela precisa disso. Ela é tão
mais forte em todas as coisas que ela tem que ter um pontinho fraco. E acho
que é esse aí.
Vaidade
Ah, eu acho fundamental. Gosto de mulher enfeitada, arrumada, não acredito em
mulher feia, nem gorda, nem coisa nenhuma. Acho que a mulher que gosta dela
mesma, que tem essa coisa da vaidade, é a mulher mais bonita que existe.
Entrevista
concedida ao site Opinião Masculina em maio/2005
(www.opiniaomasculina.com.br)
Reportagem
Fique por dentro:
Ronnie Von, Mãe de Gravata
Mãe
de gravata, Pai de avental, Ser
Humano Por Inteiro
O cantor, apresentador e empresário
Ronnie Von é um homem diferente. Nesta entrevista exclusiva, ele fala sem
preconceitos das experiências que o levaram a escrever o livro "Mãe de
Gravata", sucesso editorial que se transformou em programa de televisão.
Por Caio Franco
ALÔ
BEBÊ CLUB: Fale-nos um pouco sobre a experiência que deu origem ao livro (e ao
programa) Mãe de Gravata...
Ronnie Von - Eu me separei e fiquei com a guarda dos meus filhos, uma
menina com 6 para 7 anos e um menino com 5 para 6 anos de idade. De repente,
estava perdido no mundo com duas crianças pequenas, em idade pré-escolar e não
sabia para quem pedir socorro. O que aconteceu inicialmente foi o susto, eu
fiquei assustado. Eu achava que tinha alguma competência, depois descobri que
tinha toda, mas inicialmente você acha que vai se arrebentar todo. Errei
muito, aprendi com meus erros... O que é importante passar para o leitor é a
profunda estupidez de quem tem um nível de escolaridade ou de informação acima
da média; normalmente, essas pessoas são as que se arrebentam mais, porque
imaginam que sabem tudo e a coisa começa a pegar exatamente aí. Meu
envolvimento com Piaget (filósofo e pedagogo suíco) e outros me levou a tomar
uma atitude absolutamente equivocada, que foi a literatura. Parti direto para
Piaget e me arrebentei, porque não é assim, não é “pode tudo” ou “não pode
nada”, a coisa tem que ter um equilíbrio, um bom senso, um meio-termo. Fui
errando, mas ao mesmo tempo fui acertando para ter hoje uma visão
absolutamente simplista do que seja pedagogia, puericultura etc., que é você
resolver tudo com amor. Com amor, com papo, com presença física o tempo
inteiro. Com a carreira maluca que eu tinha... As pessoas falavam “Ah, que
absurdo, você largou sua carreira no Brasil para ficar só na Europa ou nos
Estados Unidos”, não é isso, é que eu precisava, eu não podia mais viajar pelo
Brasil o tempo inteiro, porque o olho da mãe é que educa o filho. Eu não podia
viajar o tempo inteiro. Então fiquei preso aqui para poder exatamente ir
buscar no colégio, almoçar, jantar com eles, e isso é fundamental. Por mais
que eu tivesse maravilhosas governantas e bons motoristas e o diabo, eu tinha
que estar com eles, porque senão dança mesmo. E errando, e quebrando a cara,
até a hora de acertar. Com o seu erro, você acerta de uma maneira tão
grandiosa que esse erro passa despercebido depois. É uma experiência de vida
muito rara, um pai virar mãe. Hoje, eu acho que a competência de um pai pode
ser a mesma da mãe ou, modéstia à parte, com toda a minha sinceridade, melhor
ainda. A única coisa que não posso fazer é gerar. Eu não posso parir um filho,
não é uma condição fisiológica própria do homem, mas amamentar eu posso, com
mamadeira. E com absoluta qualidade, pode ter certeza. Meus dois filhos mais
velhos são seres humanos de primeiríssima ordem, foram criados por uma mãe de
gravata, que é a história do livro. Escrevi esse livro para homens que, como
eu, tinham o mesmo problema. E lamentavelmente - ou não - fui descobrir que
72% dos meus leitores são mulheres... E o livro nasceu porque participei dessa
tribo feminina, tive um grande envolvimento com elas e acabei descobrindo que
elas é que têm o poder mesmo. O livro foi um sucesso editorial que acabou
virando programa de televisão, onde eu mostro exatamente esse outro lado, que
me parece ser lógico, do homem moderno, em que ele aceita essa dualidade que
ele tem, de homem e de mulher. E essas coisas que são ditas, e eu não sei em
que almanaque que escreveram que homem não pode trocar fralda, não pode
cozinhar, arrumar, lavar e passar, que quem faz isso é mulher, não sei onde
isso está escrito, mas a sociedade impõe esse comportamento, e nós tentamos,
de certa forma, no programa de televisão, desmistificar tudo isso.
ABC: Que tipo de preconceitos você enfrentou por criar seus filhos? Numa
sociedade machista como a nossa, imagino que não tenha sido nada fácil...
Ronnie Von - “Até você, Ronnie? Jogando água fora da bacia, gostando de
renda, de bordado?” Gosto sim, gosto até hoje. Minha mulher não compra uma
peça de roupa, eu visto ela dos pés à
cabeça, do sapato à calcinha e ao sutiã, lingerie dela quem vê sou eu. Vestia
a minha menina. Quando entrei pela primeira vez numa loja de lingerie fui
olhado torto, as pessoas se juntavam na porta para fazer gozação comigo,
artista, cabelo grande, aquela coisa, você imagina o que eu passei. Meu
segurança sumiu, com medo de ser linchado, sei lá... Hoje em dia é muito
divertido, muito engraçadinho, mas só eu sei o que passei... Os amigos se
reuniam na minha casa, inevitavelmente, nessa coisa meio bucólica, meio
provinciana aqui de São Paulo, homens de um lado, mulheres do outro... Muito
interessante, eu sou carioca e achava isso engraçado, adoro São Paulo, mas os
subsídios que eu teria que colher não eram a respeito de negócios, de
política, de futebol ou da capa da Playboy. Isso tudo me interessava até certo
ponto. Então eu dizia, de fato, aquele gol eu achei que estava impedido, mas o
juiz deu, tudo bem, e a capa da Playboy, essa gata é um sonho dourado, mas eu
vou lhe mostrar uma toalha de mesa que você não vai acreditar (risos)... E os
caras olhavam para mim, “Pô, mas que absurdo!” E isso eu conversando com os
homens. Resultado: passei a freqüentar apenas o círculo feminino. E eles
diziam para mim, “Lá vai você com seu papo cri-cri, criança e criado!” (risos)
Mas era o que me interessava. E eu colhi esses subsídios todos com as
mulheres, quando descobri que elas é que são machistas mesmo; mas elas me
aceitaram na tribo e daí para frente... Minha cabeça hoje é literalmente
feminina, eu vejo o mundo com olhos de mulher, e não tenho nenhum
comprometimento na minha virilidade, pelo contrário, acho que fiquei uma
pessoa muito mais rica em todos os sentidos. Estudei fisiologia feminina,
porque tinha uma filha com problemas ginecológicos aparentemente insolúveis,
fui fazer curso de paramedicina ginecológica, com ginecologistas, vi um monte
de mulheres grávidas ao meu lado, que me olhavam torto à beça, até me
aceitarem foi difícil. Então hoje conheço o corpo da mulher muito melhor do
que conheço o meu de homem, sei alguma coisa dele porque convivo, mas corpo de
mulher eu conheço bem. Então vejo o mundo hoje com olhos absolutamente
femininos, e minha vida está entregue nas mãos de mulheres. Sou empresário,
você sabe; meu diretor financeiro é mulher, o administrativo também, gerente
de banco é mulher, tudo mulher... Minha mulher também é mulher (risos). Minha
vida está entregue nas mãos delas, elas são muito obstinadas, determinadas, o
que elas querem, o objetivo, elas vão e conseguem, e está acabado. O homem é
cheio de escrúpulos, dá voltas, ela não, ela tem determinação, se ela disser
“vou conseguir aquilo” pode ter certeza que vai estar na sua mão, campeão, não
tem jeito. O homem dá voltas, “será que eu poderia”, “posso olhar não sei o
quê”, “quem sabe, um dia, talvez...”, assim...
ABC: Quais são seus planos na carreira? A música está relegada a segundo
plano, agora que você é apresentador?
Ronnie Von - É o décimo primeiro programa de televisão que eu
apresento. É que as pessoas aqui no Brasil não tem a memória muito aguda.
Desde a Jovem Guarda - somente naqueles anos apresentei cinco, em épocas
diferentes. Agora quero consolidar minha carreira de apresentador, porque é
uma coisa de amor monumental com a televisão, estou perdidamente apaixonado
por isso. É uma coisa muito séria na minha vida. Devo tudo à música, mas
comecei a me insurgir muito contra essas mudanças que existiram aqui,
provocadas até pelas próprias gravadoras, e você sabe a que me refiro, ao jabá
oficializado, as raízes da música hoje são absolutamente comerciais, não são
musicais, não tenho talento para vestir um shortinho curto e dançar na
boquinha da garrafa, não sei fazer música urbana e dizer que é sertaneja, não
sei fazer um samba que não é samba, isto é, estou perdido. Minha carreira
musical ficou fora do Brasil e acho que o que me importa hoje aqui é
televisão, mesmo. Isso é definitivo na minha vida. É um projeto de vida, não
de carreira, uma coisa visceral, está dentro de mim e me faz muito bem, é
prazeroso, trabalhar com aquilo que você gosta é uma coisa maravilhosa.
Você veja, hoje tive três reuniões aqui, não pude sair, almoço em casa todo
dia, eu vou para a televisão, meu programa começa às cinco, à uma da tarde
estou lá, todo dia, e saio dez e meia da noite, é uma coisa que me dá muito
prazer.
Ronnie Von
Cantor e apresentador de TV
Qual o seu
time ?
Resp.: Botafogo do Rio.
Qual o jogo que mais o marcou ?
Resp.: Botafogo 3 x 1 Flamengo, quando vi o grande time do Botafogo pela
primeira vez, em 56.
Qual a sua seleção de todos os tempos ?
Resp.: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gerson;
Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino.
Qual a camisa mais bonita?
Resp.: A listrada do Botafogo.
Qual o melhor e o pior esporte?
Resp.: Não acredito que existe melhor ou pior esporte. Via de regra, o esporte
envolve uma disputa e fica difícil dizer se há algum melhor ou pior.
Em que rádio você ouve futebol ?
Resp.:
Jovem Pan e Band AM.
A revista que você lê.
Resp.:. Veja, IstoÉ, Época e vários jornais. Na verdade, tento ler tudo o que
é possível.
Qual o melhor e o pior presidente da história do Brasil ?
Resp.: JK e segundo vi e compreendi na história, Deodoro da Fonseca e Floriano
Peixoto.
A personalidade marcante em sua vida.
Resp.: José Maria Cintra Nogueira, meu pai.
Narrador Esportivo de TV e de rádio.
Resp.: Geraldo José de Almeida e Oduvaldo Cozzi.
Comentarista esportivo de TV e de rádio.
Resp.: Elia Jr. e Fiori Gigliotti.
Repórter esportivo de TV e de rádio.
Resp.: Luís Ceará e Wanderley Nogueira.
Apresentador esportivo de TV e de rádio.
Resp.: Galvão Bueno e Milton Neves.
Apresentador de auditório de TV.
Resp.: Silvio Santos.
Jornalista de TV.
Resp.: Marcos Hummel do Jornal da Band.
Programa esportivo de TV.
Resp.: Globo Esporte.
Quem melhor escreve sobre esporte no Brasil?
Resp.: Alberto Helena Jr.
O melhor e o pior cartola.
Resp.: Paulo Machado de Carvalho e todos os outros.
O melhor e o pior técnico.
Resp.:. Telê Santana e todos os técnicos, em suas limitações, podem ter
cometido erros, mas não podem ser chamados de piores.
Ronnie Von, o Príncipe
vingado!
* Fernando Rosa
Em
edição anterior de Senhor F , publicamos matéria sobre a redescoberta dos
discos psicodélicos de Ronnie Von, trazendo à tona especialmente seu clássico
álbum gravado em 1968. Nesse meio tempo, muita coisa rolou: o "disco
psicodélico" do Ronnie Von virou mania, entrevistamos Ronnie Von, o Correio
Popular de Campinas publicou matéria em parceria de Alexandre Matias/Fernando
Rosa, e os gaúchos Vídeo Hits gravaram "Silvia 20 Horas Domingo" com ele. A
seguir, publicamos a íntegra da entrevista (feita antes da gravação com VH),
que confirma tudo aquilo que afirmamos em nossa edição anterior a respeito do
cara. Aliás, um grande sujeito! Confiram.
Senhor F - Antes de mais nada, como ocorreu a sua descoberta da beatlemania, e
que importância isso teve para a sua carreira?
Ronnie Von - O que aconteceu foi o seguinte. Eu tinha, na época, uma vantagem muito
grande em relação aos outros eventuais beatlemaníacos, ou quem quer que seja,
que tivessem essa afeição clara, que eu sempre declarei. Meu filho hoje,
herdou esse vício, sem que eu impusesse nada, nunca impus nada; tem uma banda
chamada Revolution Kids, ele é o vocalista da banda. O moleque de 13 anos de
idade, canta monumentalmente, eu perto dele tenho até vergonha de dizer que
sou cantor. Meu pai, nessa época, era Ministro Plenipotenciário em Londres, um
cargo diplomático, um cargo ponto final da história da carreira diplomática.
Meu pai servia em Londres, nessa época do estouro dos Beatles. E ele me trazia
os discos no colo, e eu tinha antes de todo mundo, porque demorava 6 meses.
Então em comecei a divulgar isso muito tempo antes, através de uma banda cover,
do Rio de Janeiro, alucinada por eles, que eram os Brazilian Bitles. Em função
disso, eles ganharam um programa de televisão chamado BBC - Brazilian Bitles
Club, na TV Excelsior, do Rio de Janeiro.
Senhor F - E você participava do grupo, como muitas vezes afirmam?
Ronnie Von - Não, eles é que me puseram nessa vida. Na época, não havia rede
nacional. Eles estavam na TV Excelsior do Rio de Janeiro, e foram eles sim que
lançaram Beatles no Brasil. Eles foram as pessoas que me puseram nisso. Jamais
neguei. Eu assinava Cahiers Du Cinemá, na época. Richard Lester pra mim era um
grande diretor. Eu fui ver a Hard Days Night em função disso, mas achando que
ia dormir no meio da caminho. Porque minha namorada queria ver, e eu fui com
ela. Então, a minha descoberta, mais séria foi no A Hard Days Nigth. A partir
daí, as pessoas começaram, enfim, a tocar tanto Beatles no Rio de Janeiro,
muito mais do que em São Paulo, que as pessoas ligam a história da Jovem
Guarda a Beatles. Pelo contrário, a visão deles era mais americana, era mais
Elvis Presley, aquelas bandas. Beatles, mesmo, eu tenho essa coisinha da
vaidade, comigo, foi através desse programa.
Senhor F - Como era
tua relação com os Mutantes e com o pessoal tropicalista, e como surgiu a
idéia de gravar, por exemplo, o disco com o maestro Damiano Cozzela?
Ronnie Von - Primeiro, eu tinha uma ligação de afetividade muito grande com os
Mutantes, é uma coisa clara, isso já saiu em tudo quanto foi jornal, livro,
revista, etc, dei o nome ao grupo, o primeiro programa que eles se
apresentaram foi no meu, isso tudo, apresentei eles ao Caetano, ao Gil, ao
Guilherme Araújo, que era o empresário deles na época. Eu tinha uma ligação
forte com o Caetano e com o próprio Gil, por quem tinha um carinho muito
grande. De repente, eu estava inevitalmente ligado ao grupo chamado
Tropicália, porque eu vivia muito isso na intimidade. Eu achava que eles
tinham descoberto a única verdade, que é a afirmação da influência musical,
que toda a mídia da época, mais radical, não queria enxergar. Ou seja, "a
música brasileira não tinha nenhuma raiz" que não fosse aquela que eles
determinavam. Derrepente, guitarra elétrica era um palavrão, coisas nesse
nível. Eles juntaram as duas coisas, eles conseguiram amalgamar a música
tradicional, popular, brasileira, porque era incontestável a qualidade da
música popular brasileira de um Gil, por exemplo, com a música "up-to-date"
que veio com os Beatles, a música de guitarra elétrica, música eletrônica,
isso veio através da tropicália.
Senhor F - Você,
então ligou-se aos tropicalistas, agregando a informação mais roqueira, na
linha Beatles, de sua origem?
Ronnie Von - O meu envolvimento com eles, então, aconteceu, primeiro num disco, que
foi um disco de capa dupla, que o Caetano me deu uma canção para gravar, e eu
gravei com ele, com regência e arranjos do maestro Rogério Duprat, com os Beat
Boys, com os Mutantes me acompanhando. É claro que, aí eu volto ao país
rotulador. Não só para a grande mídia aquilo era uma coisa inteiramente fora
de propósito. Eu fazia uma música menor, uma música importada, da Inglaterra,
de má qualidade, uma música de periferia, e que não havia nenhum intuito de
mensagem social, a não ser uma coisa de fato alienada e imbecil, e com esse
tipo de rótulo eu tive de conviver a minha vida inteira. Independente de eu,
eventualmente, ter nível universitário, independente das pessoas tomarem
conhecimento que eu sou uma pessoa que prezo a informação acima de qualquer
coisa, independente das pessoas saberem que da diversificação de uma eventual
cultura que possa ter demonstrado em uma entrevista ou outra, não havia, com
não até hoje, por parte dessa mídia e menor boa-vontade. Eu não faço, nunca
fiz parte, de um feudo pré-determinado por esses "formadores" de opinião.
Senhor F - Como foi
a tua aproximação com o maestro Damiano Cozzela, e como foi a gravação do
primeiro disco com ele, de 1968?
Ronnie Von - Quem me apresentou ao Cozzela foi o Duprat, como grande o maestro com
cursos de música eletrônica na Europa, e com ele a gente fez as grandes
loucuras. Muitas das idéias que existem no disco foram passadas pelo Damiano
Cozzela. Ele acreditava na minha honestidade em querer mostrar de fato alguma
coisa "avant gard". Eu ouvia muito os grupos de vanguarda com o Cozzela, eu
tenho ainda alguma coisa em vinil comigo. Eu estava numa linguagem um pouco
mais simplista, não de meu perfil dizer isso, mas acho que agora cabe dizer
isso a você, eu estava de saco cheio, era uma coisa absurda a imposição, e
aquelo disco foi uma tentativa de me rebelar contra um sistema que me era
imposto. E que não teve sucesso, porque não tive amparo da mídia impressa, nem
da rádio. Porque esperavam ver em Ronnie Von aquilo que eles viam, que era um
cantorzinho romântico da Jovem Guarda, que cantava cantigas de ninar para as
meninas.
Senhor F - Como
você analisa hoje o fato do disco ter saído junto dos primeiros álbuns
tropicalistas de Caetano, Gil, e com arranjos até mais radicais?
Ronnie Von - A concepção do disco era radical. Era uma coisa que fugia do "establishment",
fugia daquilo que havia sido determinado como comportamento musical ou
artístico da época. O início da minha vida, o início, a minha idéia era usar
aquilo que normalmente você ouvia de uma forma mais erudita, mesclando com o
popular. Não foi necessariamente aquilo que tropicália fez, que foi misturar a
MPB com música eletrônica. No meu caso não, a coisa foi ao contrário, eu
queria fazer aquilo que os Beatles faziam, de uma forma também popular, ou
seja, eu queria agregar instrumentos pós-renascença, eventualmente arranjos
ligados as coisas barrocas, com quarteto de cordas, oboé, fagotes e guitarra
elétrica junto. Isso os Beatles conseguiram de forma brilhante, porque eles
tinham um arranjador maravilhoso, que era o quinto Beatles, o George Martin. E
o George Martin conseguiu esse tipo de resultado. Eleanor Rigby, por exemplo,
que eu cantei no palco, no meu programa, com os Mutantes, em quatro vozes, e
fomos aplaudidos de pé - eu tinha gravado isso até em acetato, imagina, até
pouco tempo atrás - era o grande sonho da minha vida.
Senhor F - Com foi a repercussão
do disco, e qual a reação da mídia, especialmente, na época?
Ronnie Von -
A mídia jogou pedra o tempo inteiro. Achavam que o disco que eu fizera
era uma outra estupidez. Não importa se eu tocara com Mutantes, se eu tivera
Caetano dividindo faixa comigo, ou se Damiano Cozzela fez um disco que o meu
filho com doze anos de idade enlouqueceu - "Pai, você fez isso, grande
barato!". De repente, entra o comerciante, porque a gravadora só tem esta
visão. Para que ela se mantenha viva, ela tem de alguns artistas que fazem uma
música dita elitizante, e que eles mantém o nome e a chama acesa dessas
pessoas, para que elas tenha retorno institucional por parte da mesma mídia,
mas que não vendem coisa nenhuma. Eles mantem isso. Só que comigo, o processo
era inverso. "Precisa vender, precisa vender, precisa vender …". E me mandavam
entrar no estúdio, repertório pronto, eu gravava aquilo ali e estava acabado.
E saia. Essa maluquice que eles chamaram na hora, e que a molecada
redescobriu, isto aí foi a única coisa que eu fiz, e queria fazer.
Senhor F - Como
rolava o preconceito contra você e tua obra?
Ronnie Von - Eu comecei com um sonho, só que talvez alguém um dia disse, eu li:
cabelo grande não afina, olho verde não grava, filhinho de papai, calcinha de
veludo, menino riquinho que resolveu cantar … Esse tipo de coisa eu ouvi todo
dia. No rádio, eu cheguei a ouvir inúmeras vezes: está ocupando o lugar de
alguém que precisa… Meu pai na época era famoso, eu não. Minha família não
entendeu isso, eu tive que me virar sozinho, eu vim morar em São Paulo
sozinho, apostando em um projeto, ninguém dava crédito, a minha família
execrava isso, que era um ambiente de marginais, e no entanto, eu era o
usurpador do trono do rei … ele sim, ele tinha uma origem humilde, ele
merecia. O preconceito comigo foi as avessas, foi um preconceito ao contrário,
eu nunca vi disso. Você não podia. Se eu tivesse vindo de uma família
tradicional, você já estaria de qualquer maneira traindo todo tipo de idéia
que eles pudessem preconceber. Na verdade, a minha praia seria a bossa-nova,
ai sim, porque os militantes de esquerda, onde eu me incluia, inclusive,
universitários, eram filhinhos de papai, discutindo os destinos do mundo e do
Brasil nas coberturas de Ipanema e do Leblon, no Rio de Janeiro, era isso que
eu vivia.
Senhor F - Esse
preconceito vinha exatamente de onde, vinha da Jovem Guarda também - porque a
"esquerda" metia o pau direto nos tropicalistas?
Ronnie Von - Você não tem idéia o que eu sofri em relação a esse programa (Jovem
Guarda), que na verdade era a determinante do comportamento musical jovem da
época. Eu queria muito fazer a Jovem Guarda, nunca me deixaram participar. O
cacete maior veio dos meus amigos, dos meus pares, os universitários do Rio de
Janeiro, que comigo achavam que eu deviai fazer música de mensagem social,
principalmente da mídia impressa o cacete comeu solto, e algumas rádios que
teimavam em não tocar, quebrar discos, etc. Porque eu tinha uma origem que não
era compatível com a do artista. O artista tinha que ser pobre, muito pobre, a
mãe muito humilde, aí sim ele merece, faça ele o que quiser, se tiver esse
tipo de origem, não é a coisa de fazer um tipo de música melhor ou pior. Ai
sim, se ele tiver esse tipo de origem, ele pode fazer o que ele quiser. Senão,
não, ele só pode fazer música de vanguarda. Isso se aplica a todo mundo que
fez a bossa nova, que era o que os meus amigos, os meus pares, queriam que eu
fizesse.
Senhor F - Como você
vê a sua obra hoje, passados todos esses anos?
Ronnie Von - Eu estava conversando outro dia isso com minha mulher, e ela disse:
"Simplesmente, você estava trinta anos na frente em termos de colocação, você
fez um trabalho que foi ser reconhecido trinta anos depois". Eu não me
conformava com isso, eu sempre achei que, talvez, eu estivesse errado o tempo
inteiro. Eu pessoalmente digo a você, eu não gosto de disco nenhum que eu fiz,
uma canção ou outra. Porque nunca tive a chance de gostar de coisa nenhuma,
porque não me deixavam. Eu tinha que gravar determinado tipo de coisa. Existem
canções que eu gosto, muito, que me deixaram gravar. Na Som Livre, alguma
coisa, uma faixa ou outra. Uma faixa ou outra, quando eu gravei na RGE. Tem
uma faixinha, ou outra, neste meu último disco, que gravei para a Paradox. O
resto "é por aqui que tem que ir" porque senão não vende. É só isso que eu
ouço isso. Não me interessa, aquilo nunca foi a minha sobrevivência, era um
projeto de vida. Isso não era uma coisa de sobrevivência. Vida é uma coisa de
sobrevivência. A música é o meu oxigênio, mas não significa que isso possa ser
uma sobrevivência.
Senhor F - E essa
movimentação em torno da tua obra, especialmente por parte da juventude?
Ronnie Von
- Eles estão me vingando. Eu estou me vingando do mundo, da mídia que foi,
neste aspecto, calhorda, durante muito tempo, através deles. Este é um país
rotulador, você sabe disso. A formação de opinião nesse país sempre foi feita
por uma meia dúzia de pessoas que, de certa forma, centralizam as atitudes
comportamentais que eles imaginam devam ser as corretas. E passam esse tipo de
informação ligado eventualmente a qualquer manifestação artística, etc. Eu
nunca tive na minha vida, nunca, nunca, alguém que se ocupasse de mim e de
minha carreira. Eu nunca tive uma asssessoria de imprensa, eu nunca tive um
produtor que estivesse ao meu lado o tempo inteiro dizendo o que deveria ou
não deveria ser gravado. Eu nunca tive empresário, eu tive corretores, eu
fazia sucesso, que era uma coisa que acontecia eventualmente na minha vida, de
forma inusitada, estranha, aleatória, aparecia, e alguém administrava esse
sucesso para ganhar dinheiro. Corretores, meros corretores.
Senhor F - O que tu
achou do cover que o Ira fez de Minha Gente Amiga?
Ronnie Von - Ouvi, gostei muito, tive com eles o tempo inteiro, fiquei muito
contente, é uma música que eu compus, eu queria fazer uma coisa meio latina na
época.
Senhor F - Você
acha que a tua obra, mesmo que de forma ainda insatisfatória, está sendo
valorizada?
Ronnie Von - Na vida, as coisas passam, tudo passa, mas a verdade é permanente, um
dia a verdade aparece. E hoje eu me sinto vingado, com o meu filho dizendo que
"grande barato esse disco pai", com toda essa meninada que me liga (NR - entre
eles, os gaúchos Vídeo Hits, com quem Ronnie Von terminou gravando, após esta
entrevista). Então, com esse tipo de coisa eu posso dormir melhor a noite, mas
sempre com um pouquinho de mágoa.
Ronnie Von recorda início da carreira
Carioca, Ronnie Von teve
uma infância tranqüila como a de qualquer garoto da classe média. Em 1960,
prestou exame para a Escola Preparatória de Cadetes. Dois anos depois, estava
pilotando sozinho um avião e realizando um grande sonho. Já na Faculdade de
Economia, montou uma distribuidora de valores e operou no mercado financeiro.
Entretanto, gostava de acompanhar os artistas que se apresentavam no Beco das
Garrafas. Bastou ser contaminado pela música dos Beatles para resolver seguir
outros rumos. Gravou um disco, revolucionou comportamentos como o Príncipe da
Jovem Guarda e comandou programas de TV e Rádio. O próprio Ronnie Von recordou
este período de sua vida durante uma entrevista ao programa Roda de Sábado, do
dia 22 de novembro de 1986.
Ronnie Von recorda a
história do apelido “Pequeno Príncipe”, dado por Hebe Camargo
Filho da classe média carioca, o cantor
Ronnie Von trabalhou no mercado financeiro e pilotou aviões antes de se
dedicar à música. Seu pai era militar e não gostou nem um pouco da idéia do
filho de largar tudo, mudar de cidade e entrar para o mundo artístico. Em
1965, Ronnie Von foi indicado para um produtor musical e, logo depois, já
estava gravando e participando de programas no rádio e na televisão. Agnaldo
Rayol deu a primeira grande chance, convidando-o a participar do "Corte Rayol
Show". No dia 03 de outubro de 1987, em entrevista à Jovem Pan, Ronnie Von
recordou participação no programa da TV Record de Hebe Camargo, que lhe rendeu
o apelido de "Pequeno Príncipe".
O homem de mil
talentos
"Estávamos jantando e esse amigo fez um teste de conhecimento sobre bordados
num restaurante elegante de São Paulo, visitando mesa a mesa e perguntando que
peça era aquela. Ninguém sabia responder. Eu era o único que conhecia".
São
poucos os artistas que conseguem vencer a barreira do tempo e garantir seu
espaço na mídia 35 anos depois do início da carreira. Dentre eles, merece
destaque Ronnie Von.
Não apenas pelo seu sucesso como cantor, com músicas como Meu Bem e A Praça,
para citar apenas duas. Mas principalmente pela sua capacidade de superar as
adversidades e ressurgir das cinzas, como profissional e ser humano.
Difícil é defini-lo: cantor, ator, apresentador, escritor, botânico, gourmet,
empresário, entrevistador, piloto. Ronnie conseguiu a proeza de ser galã e mãe
de gravata.
Como teve que assumir a guarda dos dois filhos do primeiro casamento, Ronnie
Von, passou a conhecer profundamente o universo feminino e exerceu o papel de
pai e mãe simultaneamente. Foi aprendendo tudo que as mulheres precisam saber
e hoje conhece mais que a maioria. Resultado, lançou o livro Mãe de Gravata, o
sucesso acabou estimulando o projeto de um conhecido publicitário seu amigo,
de fazer um programa de televisão voltado para o universo feminino e que ao
mesmo tempo atraísse o olhar masculino. "Estávamos jantando e esse amigo fez
um teste de conhecimento sobre bordados num restaurante elegante de São Paulo,
visitando mesa a mesa e perguntando que peça era aquela. Ninguém sabia
responder. Eu era o único que conhecia".
Hoje, o programa , que leva o mesmo título do livro é apresentado na CNT de
Segunda a Sexta, com grande sucesso de audiência. Seja em quantidade como
qualidade de telespectadores.
A forma elegante e inteligente de apresentá-lo, o profundo conhecimento dos
assuntos abordados, foram conquistando o público e deram ao programa um toque
único.
Mas nem tudo são flores na vida de Ronnie Von. Além dos percalços da carreira
e da vida de empresário, Ronnie enfrentou uma doença grave e conseguiu
superá-la, graças a sua determinação de viver. Recentemente, outro susto para
testar o gigante.
No início da carreira Ronnie Von viajou muito pelo Brasil. “Esse é um orgulho
que tenho. Conheço o Brasil de ponta a ponta” . No começo o seu conjunto
viajava em Kombi , a van da época.
"Meu primeiro carro foi quando estava servindo. Meu pai me deu uma Vemaguete e
disse: Comprar a geladeira é fácil. Difícil é mantê-la cheia. Como eu não
tinha dinheiro para o combustível, a única coisa que fazia era ficar polindo
ela o dia inteiro".
Nas viagens passou seus sustos. Certa vez, atravessando a região do Pantanal,
o ônibus enguiçou e foi cercado por índios que mandaram todo mundo descer. Até
que um chefe reconheceu o cantor. "Pode imaginar ele falando Ronnie Von.
Ficamos com eles até chegar ajuda e comemos juntos".
Hoje, Ronnie Von não costuma mais fazer muitos shows pelo Brasil. “Tenho
gravado no exterior e lançado meus discos na Europa e América Latina". Sua
atenção maior é dedicada ao programa de televisão.
"Muitos homens assistem e gravam o programa para ver no retorno do trabalho".
Orgulhoso do sucesso e reconhecimento do público, Ronnie admite que sua atual
esposa, Cristina é que cuida do filho do casal e que as tarefas domésticas
estão sob o comando dela, mas reconhece que dá muitos palpites.
O Príncipe dos anos 60 também viveu seu conto de fadas com Cristina, sua amiga
de infância, pela qual se apaixonou depois do segundo casamento. Cheio de
planos e projetos para o futuro, Ronnie Von é um exemplo de persistência,
coragem, fé e talento, de quem aceita os desafios da vida e as ameaças da
morte e vai em frente.
O ABC DE RONNIE VON
O ALTO
ASTRAL DO PRÍNCIPE DA JOVEM GUARDA
Com mais de 35 anos de carreira, o cantor Ronnie Von acumula
sucessos desde a época da Jovem Guarda e vitórias como apresentador de TV.
Atualmente, em uma fase mais light, curte a vida degustando bons vinhos e
participa de reuniões para preparar a sua volta na telinha. Aqui,
responde ao nosso ABC com humor e inteligência.
Por Cléo Tassitani | Ilustração Carlinhos
- Revista GO WHERE – EDIÇÃO 45 – ANO 2004

Ar–
muito difícil viver sem ele
Bom,
bonito e barato - tripé do sucesso dos nossos sonhos
Cristina
- a motivação da própria felicidade
Decisão
- jamais consegui tomar uma que fosse correta
Educação
- a solução para todos os problemas
Família
- a verdade maior de uma sociedade
Grace
Kelly - a musa-padrão. A mulher dos meus sonhos
Hoje,
ontem e amanhã - só terão razão de ser pelo dia que estou vivendo agora
Infância - só vou me sentir vivo enquanto perceber a criança
que está em mim
Já
- no mundo imediatista, rapidez é imprescindível
Karabichewsky
- o maestro de todos os músicos
Ler
- quanto mais eu leio, descubro que nada sei
Música
- a quem eu devo tudo na minha vida material e emocional
Não
- a palavra que mais ouvimos e que mais forja a nossa personalidade
Oprahy
Winfrey - quem me dera ser essa mocinha!
Por
quê? - de onde viemos, para onde vamos e o que somos?
Queijo
- muitas vezes, não sei se sou rato ou humano
Ray
Charles - um ídolo, um exemplo de recuperação existencial
Simples
- nada é mais difícil do que fazer o simples
Tempo
- o amigo fiel da superação das dores
Uva
- a matéria-prima para a confecção do meu hobby
Vinho
- o meu hobby
Xadrez
- para aqueles que abusam do poder e tiram os direitos dos cidadãos
Yankee
- go home!
Zen
- estado de espírito. Jamais consegui chegar perto!
|
RONNIE VON –
Apresentador – TV GAZETA – TODO SEU |
|
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O que pensar de
uma criança que tem como sonho “um cachorro azul”? Coisas de
um Pequeno Príncipe, que acredita que pode transformar o mundo em
algo muito melhor. E o fez, através de sua música, do seu jeito de
garoto bem comportado, mais tarde como homem bem sucedido, pai
extremoso, chefe de família e “dono de casa”.
Aos 15 anos de idade, ele ingressou na aeronáutica, mas sua
carreira foi muito curta e o que o tirou deste caminho foi um bolo
de chocolate. Mesmo com 15 anos de idade, ele ainda tinha sua
babá, que certo sábado resolveu fazer uma surpresa e foi até o
hangar onde Ronnie estava. O cadete responsável a anunciou:
“Atenção, o corpo de cadete está em atenção. --Cadete Nogueira,
atenção cadete Nogueira. Sua babá está aqui e trouxe um bolo de
chocolate. Atenção, cadete Nogueira. Sua babá está aqui com um
bolo de chocolate”. Assim, terminou sua vida na aeronaútica.
Sua carreira como cantor começou no bar “O Beco das Garrafas”,
onde foi descoberto por João Araújo, enquanto dava uma “canja”. A
primeira gravação foi um fenômeno e na mesma época, Hebe Camargo
lhe deu o apelido pelo qual é conhecido até hoje: Príncipe.
Em 1966, teve a primeira oportunidade como apresentador na TV
Record, comandando o programa “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”. O
programa abria as portas para novos talentos e Ronnie Von lançou
muita gente: Os Mutantes – grupo da Rita Lee, Eduardo Araújo, Os
Vips, Martinha, Jerry Adriani e o pessoal da Tropicália,
especialmente a Gal Costa. Apresentar programas de TV passou a ser
mais uma vertente em sua carreira de artista. A princípio com
programas musicais e talking shows.
Suas experiências como pai e mãe resultaram em um livro: “Mãe de
Gravata” e a idéia de apresentar um programa feminino veio através
de um amigo, Washington Olivetto. Hoje, ele apresenta o programa
diário “Todo Seu”, na Rede Gazeta de Televisão, com 2 horas de
duração, pela manhã. O segredo do sucesso é fazer um programa
voltado para o mundo das mulheres , com um toque masculino.
Vencer a barreira do tempo e garantir espaço na mídia é uma árdua
tarefa para os artistas, mas Ronnie Von e seus mil talentos,
provam que os 38 anos passados desde o início da carreira serviram
para aprender a superar as adversidades e crescer como
profissional e como pessoa passível de erros e acertos. A receita
para fazer tanto sucesso com o público
feminino é ser homem, mas pensar com cabeça de mulher! |
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Ronnie Von na Casa dos Sonhos
Por
David Nery
Durante um evento
beneficente realizado pela Estrela em junho, Ronnie Von
fez uma visita ao Museu do Brinquedo, na Casa dos Sonhos.
O cantor e mãe-de-gravata, considerado o príncipe da jovem guarda, reviu
emocionado o boneco inspirado em sua imagem, lançado em 1967.
Nessa época, a coleção
Estrela continha algumas
personalidades da música transformadas em bonecos, tais como Wandeka e
Tremendão.
O Museu do
Brinquedo Estrela, que conta com um acervo de peças de 1937 até a década de
90, pode ser visto na Casa dos Sonhos Estrela, na Av. República do
Líbano, 501 – Ibirapuera – São Paulo.
ENTREVISTA – REVISTA
TRIP TPM
FEVEREIRO / 2005
Em meados dos anos 80, aos 35 anos, Ronaldo Lindemberg Von
Schilgen Nogueira enterrou qualquer chance de ganhar na loteria ao driblar as
estatísticas e sobreviver a uma das doenças mais raras e mortais do mundo:
polineurite plurirradicular, uma inflamação no sistema nervoso que provoca
dores medonhas e entreva suas vítimas na cama por meses até que elas,
misericordiosamente, morrem. Registros médicos apontam que apenas duas pessoas
no mundo venceram a batalha contra o vírus letal: ele e um cidadão
australiano. Mas não é por ter virado caso de estudo médico que Ronaldo é um
sujeito famoso.
Filho mais velho de uma abastada família carioca, nasceu em Niterói, em 1944,
e foi educado para administrar os negócios da família. O pai, diplomata, e os
tios eram donos de banco e de uma corretora de valores. Ronaldo estudava
economia e seguia obediente a trilha de herdeiro, mas quis o destino que um
dia estivesse num certo bar, num certo dia de 1963 em que uma certa banda
tocava Beatles. Ronaldo fornecia discos difíceis de se achar no Brasil e foi
chamado ao palco pelos amigos para cantar uma música, por farra.
Na platéia, um jovem executivo do mercado fonográfico viu no garoto de olhos
verdes e rosto de príncipe a chance de ganhar um bom dinheiro.
E assim foi criado Ronnie Von, o cantor.
Mas Ronnie, o príncipe do iê-iê-iê, cantava aquelas musiquinhas medíocres a
contragosto. Se dependesse dele, estaria fazendo rock psicodélico.
Aos 30, teve que aprender a ser mãe, a fazer lição de casa com as crianças e a
passar a noite em claro quando uma delas estava gripada. Ronnie se adaptou bem
ao novo papel, mas aí veio a doença que quase o matou. Hoje, casado com a
amiga de infância Cristina, com quem teve um terceiro filho (Leonardo, de 17
anos) e três vezes avô, comanda na TV Gazeta o Todo Seu.. Foi em sua casa no
Morumbi que o encontramos para voltar ao passado e entender melhor as mil
voltas que a vida de Ronaldo já deu.
Você sempre teve essa cabeça feminina?
Evidente que não. Com 15 anos entrei para uma academia militar e fui ser
cadete da Aeronáutica. Eu adorava aviação. Queria ser aviador, mas minha
família tinha um grupo financeiro e acabou me recrutando para trabalhar lá.
E quando esse seu lado feminino aflorou?
Acho que foi quando tive um caso com uma amiga da minha mãe [risos]. Eu tinha
18 anos, ela era separada, tinha 42. Foi a mulher mais elegante, educada e
gentil que eu vi na vida. Fiquei apaixonado e cheguei a me mudar para a casa
dela, uma cobertura na avenida Atlântica [em frente à praia de Copacabana].
Hoje ela deve ter uns 84 anos, olha a barbaridade! Na época, minha mãe ficou
uma fera.
Me lembro até hoje do dia em que ela foi me buscar, uma vergonha. Me escondi
quando vi minha mãe na porta – pra você ver como eu era maduro [risos]. Aí ela
fez um discurso, disse que a amiga havia me seduzido, que isso não era
correto, falou por horas ali na porta. Ficamos juntos oito meses e talvez eu
deva a essa mulher a visão feminina da vida porque ela me ensinou tudo e mais
um pouco.
Com quantos anos você casou?
Com 19. Com 23 tive meu primeiro filho, Alessandra.
E a música entrou na sua vida como?
Meu pai, que era diplomata, estava servindo em Londres. E era justamente essa
a época dos Beatles, né? Ele me mandava de lá todos os LPs, muito antes de as
músicas estourarem por aqui. Daí conhecí uns caras que tinham uma banda que só
tocava Beatles e comecei a emprestar os LPs pra eles e a ir a todos os shows
que eles faziam em bares e boates. Num desses shows, os caras da banda, sem eu
saber, pegaram o microfone e disseram: “Tá aqui na platéia o Ronnie, que é o
cara que fornece os discos pra gente. Eu queria convidá-lo para subir aqui e
cantar uma música”. Eu gelei, tentei sair correndo. Mas foram me pegar lá fora
e, quando entrei, o bar inteiro estava gritando: “Canta, canta!”. Aí eu subi
no palco tremendo e cantei “You’ve Got to Hide Your Love Away”, que ninguém
aqui tinha ouvido. E foi um sucesso.
A partir daí você resolveu cantar?
Isso nem me passava pela cabeça. Eu vinha de uma das famílias mais
tradicionais do Rio e, naquela época, ser artista era subversão, rebeldia. Mas
olha como a vida é curiosa. Sabe quem estava na platéia naquela noite? O João
Araújo [pai de Cazuza, na época executivo do mercado de música e prestes a
fundar a Som Livre].
E a sua família achava o que do Ronnie cantor?
Eles eram radicalmente contra. Achavam que eu tinha sido possuído, que ia
jogar o nome da família na lama. E foi assim, sem respaldo nenhum, que aos 22
anos, depois de me formar, me mudei para São Paulo para tentar ser cantor. Eu
e Arethusa, minha mulher na época, que foi uma supercompanheira.
Você gostava de Beatles, viu nascer os Mutantes. Como acabou fazendo música
popularesca?
Nunca gravei aquilo que queria gravar, só o que os executivos mandavam, o
iê-iê-iê, que vendia como água. Eles diziam: “Grava isso aí que é muito
legal”. Eu achava tudo uma droga, mas gravava. Não havia tempo para
experimentações, para dar vazão ao movimento do rock’in’roll que estava
surgindo e que era o que eu realmente queria fazer. Os únicos dois discos que
fiz da minha cabeça, que eram uma coisa mais experimental, mais psicodélica,
underground, quase eletrônica, foram grandes fracassos de venda e quase
acabaram com minha carreira. Eu achava que ia haver uma hora em que eu poderia
fazer a música que eu queria e ganhar dinheiro com ela. Enquanto isso, ia
cantando aquilo que me mandavam cantar. Só que não houve essa hora.
Mas esses dois discos [Ronnie Von (1968), e A Misteriosa Luta do Reino do
Parassempre contra o Império do Nuncamais (1969)] hoje são reconhecidos como
seus melhores...
Pois é, viraram cult, custam US$ 500 [N.R. é exagero de Ronnie. A Baratos
Afins, na Galeria do Rock, em São Paulo, vende cada um por R$ 150]. Em um
deles, tem uma faixa que o Caetano canta comigo, é uma das minhas prediletas.
Na Áustria tem um site dedicado apenas a vender meus trabalhos antigos.
Depois você se separou e ficou com a guarda de seus filhos. Por que eles
ficaram com você e não com a mãe?
Me separei em 1975, quando fazia o Qual é a Música na TV Tupi. A Arethusa
achou que eu era a pessoa mais capacitada do casal, e eu sabia que era mesmo.
As crianças eram pequenas, tinham 7 e 6 anos. A Arethusa foi embora para o Rio
e eu assumi o dia-a-dia dos dois. Fazia o jantar, a lição, colocava para
dormir, cuidava quando ficavam doentes.
E como conciliou a carreira com a maternidade?
Tive que abrir mão de viagens, de shows, porque não dava para criar os dois e
sair por aí. Eu não ia abrir mão de levar e buscar na escola, de almoçar e
jantar todos os dias com eles. Isso para mim era fundamental.
Foi aí que você abandonou a carreira de cantor?
Comecei a negligenciar essa história da música. O que foi um equívoco. Mas eu
não tinha alternativa. São prioridades na vida. A verdade é que não agüentava
mais ser discriminado. Foi uma coisa muito pesada, sabe? A imprensa foi cruel,
alguns artistas foram cruéis... Eu poderia justificar todos os fracassos
artísticos da minha vida culpando, por exemplo, o grupo do Roberto. Poderia
culpar alguns jornalistas da editora Abril, que também pegaram pesado com o
“filhinho de papai”. Mas a culpa é minha. Eu é que não soube conduzir minha
carreira, que é toda irregular, cheia de altos e baixos, é uma maluquice.
Nunca fui bem orientado.
Foi por essa época que você quase morreu?
Foi em 1980. Peguei um vírus que inflamou meu sistema nervoso periférico
inteiro, uma coisa raríssima e também muito fatal. No mundo inteiro apenas
duas pessoas sobreviveram a essa doença: eu e um sujeito na Austrália.
E como você se curou?
Fui melhorando aos poucos e consegui sobreviver. Mas até hoje não se sabe
como. Foi um milagre.
Leia a íntegra desta matéria na Trip Tpm # 40

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